Controlo

Controlo

Controlo… Sim, é talvez uma palavra muito forte, mas se pensarmos bem, é também algo de que todos precisamos nas nossas vidas. Ninguém consegue viver sem ele, senão correríamos certamente o risco de cair em anarquia. No entanto, com o controlo advêm outros problemas, como o risco que corremos em nos tornarmos demasiado mecanizados. Perdemos grande parte da nossa identidade ao ponto de nos olharmos ao espelho e já não sermos verdadeiramente nós. Somos apenas uma versão esbatida de quem outrora fomos. Percebemos que trabalhamos como máquinas há demasiado tempo. Faz parte de quem nos tornámos. Muitos dizem-nos simplesmente para perdermos o controlo, mas como o podemos fazer quando já estamos formatados para pensar nele? Ensinam-nos que perder o controlo é o mesmo que enlouquecer, mas quem não precisa de um pouco de irracionalidade na sua vida? Provavelmente a designação mais apropriada às nossas necessidades seja a de autocontrolo. O excesso de controlo faz-nos perder o autocontrolo e o que seria da nossa vida sem ele…

[9] – Primeiras impressões

Olá amiga,

Vou começar pelo início, ou seja, aquele primeiro momento em que nos conhecemos. Foi muito constrangedor para mim, mas pelo que depreendi da situação, também não foi muito melhor para ti. No meio de um ambiente tão hostil, fiquei impressionado ao ter encontrado alguém que tinha muitas semelhanças comigo. Na realidade foi um breve encontro que me ajudou imenso a sentir mais calmo na altura. Mais tarde, os nossos caminhos voltaram a encontrar-se e o constrangimento de inicialmente foi-se dissipando, até nos termos tornado bons amigos. As primeiras impressões nem sempre costumam ajudar muito no cultivo de boas amizades e, neste caso, apesar da primeira impressão não ter sido a melhor, foi um caso de sucesso.

Do teu amigo

[8] – O sonho

Olá meu grande amigo,

 

Sei que já há muito tempo que não tens novidades minhas. Eu também não sei muito sobre ti atualmente, mas tenho a certeza que estás a ser muito bem sucedido aí tão longe onde te encontras. Contigo aprendi muitas coisas, mas talvez a mais importante seja que nunca devemos desistir daquilo em que acreditamos. No entanto, devemos ser realistas em relação aos nossos objetivos e, por vezes reajustá-los. Familiar? Foi isso que tu fizeste e acabaste por ser bem sucedido! Admiro-te muito por teres deixado tudo para trás em busca dos teus sonhos. Há uns tempos atrás eu não tinha tanta certeza se iria conseguir tomar decisões que causassem grandes impactos, mas hoje sei que o consigo fazer. Aprendi que se queremos ser bem sucedidos, o nosso destino depende em grande parte de nós.

Vai dando notícias!

 

Do teu amigo

Os desenquadrados

Os desenquadrados

A sociedade ensina-nos muitas coisas. Um dos grandes ensinamentos com os quais somos impingidos é o de termos de ser bem sucedidos para contribuirmos para essa mesma sociedade. Ela ensina-nos também que temos de ser sociáveis para sermos socialmente aceites. Então, o que acontece com as pessoas pouco sociáveis? Será que elas não fazem também parte da sociedade? Gosto de pensar que sim, mas as pessoas costumam demonstrar o contrário. Vivemos num mundo dominado por pessoas carismáticas e extrovertidas. Muitos fingem, porque não querem ser excluídos, enquanto poucos são os que se conformam como realmente são. Vivem vidas frustradas e sem um propósito para além de serem quem não são. Os que não se enquadram nestes padrões geralmente não chegam a ser bem sucedidos porque não lhes é dada sequer uma oportunidade. Suponho que seja mais fácil aceitar alguém capaz de forjar dez identidades do que alguém que se mantenha fiel a si próprio ou alguém que diga dez mentiras ao invés de alguém que diga efetivamente algo de útil. A preocupação deveria ser a de explorar o potencial das pessoas e não enquadrá-las em moldes predefinidos, mas às vezes esta não é a máxima mais bem aceite pela maioria.

Nunca se esqueçam que preparamos as pessoas para o futuro e não o futuro para as pessoas…

[7] – Energias nocivas

Olá,

 

Nem sempre os motivos pelos quais escrevemos são bons. Este é um deles. Tu tens culpa de muitas coisas… Não digo que eu seja uma pessoa perfeita, mas pelo menos tento sempre ser melhor de que no dia anterior. Há pessoas que por muito que façamos isso, nunca o sabem reconhecer. Esse é um dos grandes motivos pelos quais te culpo. Não faz mal sermos advertidos de algo quando somos culpados (admito-me a dizer que é mesmo essencial), mas dia após dia faz-nos sentir por vezes como se fossemos uma nulidade. As pessoas que nos fazem isso têm culpa, ainda que não saibam que estão a ser culpadas (bem, algumas até o sabem…). Quanto a ti, desconheço as tuas motivações… Este momento fatal resulta em muitas outras coisas e traz mesmo algumas consequências mais ou menos graves. Quando todos os dias somos criticados começamos a acreditar que somos mesmo péssimas pessoas e é muito difícil recuperar após tais circunstâncias. Na minha opinião, a solução passa por nos afastarmos destas pessoas e do ambiente nocivo que elas provocam, pois a mudança começa sempre por nós. Deixamos o passado para trás e recomeçamos, sabendo que muitos de nós já partiram em desvantagem…

 

Assim me despeço!

O caminho das nossas vidas

O caminho das nossas vidas

A vida tem muitos caminhos. Poucas são as ocasiões em que os nossos caminhos vão dar diretamente ao nosso destino. Em muitas ocasiões temos de alternar as nossas rotas para chegarmos a esse mesmo destino. Pelo caminho vamos encontrando pessoas que nos ajudam na nossa caminhada e outras que fazem coisas para nos atrasar ou mesmo para nos obrigar a mudar de destino. Por vezes vamos por atalhos e em algumas ocasiões decidimos escolher o trajeto mais longo porque nos sentimos mais seguros. No entanto, nem sempre o caminho é fácil. Às vezes encontramos obstáculos. Aqueles que nos fazem procurar caminhos alternativos e novas rotas para o nosso destino. Também podemos encontrar bifurcações que nos dividem e nos obrigam a escolher um caminho. Quando descobrimos que estamos no caminho certo, olhamos orgulhosamente em frente e seguimos a nossa rota, mas se descobrirmos que não estamos no caminho certo, temos duas opções: escolhermos um novo caminho ou voltarmos atrás; mas às vezes não há mais caminhos para alterar a rota e, mesmo que voltemos atrás, podemos deparar-nos com uma parede recém construída. Resta-nos então duas novas hipóteses: seguir esse caminho (sabendo que não é o correto) rumo ao desconhecido ou, se nos sentirmos verdadeiramente corajosos, podemos sempre tentar partir a parede que nos impede de regressar.

Em qualquer das situações, somos nós que traçamos o nosso caminho…

[6] – Os incompreendidos

Olá meu grande amigo,

 

Talvez não seja a melhor altura para te escrever, pois sei que tens andado muito ocupado (como eu te entendo…). No entanto, é importante que saibas algo. Poucas são as pessoas capazes de entender verdadeiramente a minha realidade confusa (ou serão várias?; acho que eu mesmo não sei responder a isso…). Tu és uma dessas poucas pessoas, porque tens uma forma idêntica de pensar e é por isso que nos damos tão bem. Também, partilhamos as mesmas dificuldades, pois nunca nos conseguimos explicar muito bem aos outros… Ou serão eles que não nos querem entender? Provavelmente nunca iremos saber… É também por isso que muitas vezes somos criticados e chamados de antissociais. Mas também não podemos culpar essas pessoas, uma vez que elas não conhecem as nossas realidades. Contudo, a nossa principal diferença está relacionada com as tomadas de decisão. Tu és mais racional quando tens de decidir algo, enquanto eu muitas vezes me deixo levar pelo lado emotivo. Talvez um dia tenhamos uma conversa filosófica sobre isso e sobre a ideia de perfeição que nunca vamos conseguir atingir.

Aguardo notícias tuas

 

Do teu amigo

P. S. – Não te esqueças que nem sempre as decisões mais racionais são as melhores!