[17] – Ignorância é o pior remédio

Olá,

 

Às vezes há coisas das quais precisamos de falar. Esta é uma delas.

Durante muito tempo fui uma pessoa com pouca iniciativa. Era influenciável e limitava-me a concordar com a opinião alheia, sem nunca dizer o que realmente pensava. Confortava-me saber que partilhava a minha opinião com alguém e isso fazia-me sentir bem. Como deves imaginar, estas atitudes não me levaram muito longe. Acabei por concordar com muitas coisas das quais não gostava e senti-me muitas vezes com a necessidade de fazer coisas com as quais não me identificava. Depois, conheci-te a ti. Alguém diferente, que não vivia das aparências e que me fez tomar iniciativa para muitas coisas. Aprendi a conhecer-me muito melhor nesse período e pela primeira vez em muito tempo, senti que tinha alguém com quem podia verdadeiramente contar. No entanto, não foi isso que aconteceu…

Tenho pena que as nossas partilhas de opinião se tenham gradualmente transformado em nada. Foi uma amizade que infelizmente acabou, porque alguém achou que não dizer nada era melhor do que continuar a expor os seus pontos de vista. Ambos sabemos que esse alguém não fui eu.

Vou dizer-te algo sobre mim, que não tiveste oportunidade de saber. Gosto muito dos meus amigos e hoje, se tiver algo para lhes dizer, digo sem problemas. Gostava que tivesses feito o mesmo por mim.

Até algum dia

 

PS – O meu conselho para quem se cruzar com esta carta, é que não despreze o poder do diálogo. Se tiverem algo para dizer a alguém digam-no, por mais difícil que possa parecer, porque nunca sabemos o impacto do nosso silêncio nas outras pessoas.

As tragédias que só nós queremos ver

As piores tragédias da vida são aquelas que mais ninguém sabe. A dor que sofremos sem que ninguém saiba ou a história que apenas nós sabemos. Tudo isso nos corrói por dentro e nos deixa vulneráveis. Pensamos que somos fortes, até ao momento em que não aguentamos mais e deitamos tudo cá para fora. Sentimo-nos as piores pessoas do mundo e descobrimos que afinal não éramos assim tão resistentes. Culpamos os outros por nunca terem reparado em nós e na nossa decadência ao longo dos tempos. Sentimo-nos a enlouquecer aos poucos e que ninguém nos vai ajudar a encontrar a confiança que nunca tivemos antes. Ficamos cada vez mais tristes e entramos num ciclo do qual não conseguimos sair.

É muito fácil culpar tudo e todos à nossa volta, mas o que muitos se esquecem é que a mudança parte de nós e a confiança também. Ninguém se vai importar connosco se não formos nós a ser os primeiros. Ninguém nos vai ajudar, se não tomarmos uma posição e nos decidirmos ajudar a nós mesmos. Tudo isso começa quando tiramos as coisas do nosso peito e percebemos que as nossas tragédias não passam de insignificâncias comparadas com as tragédias dos outros.

A verdadeira tragédia ocorre quando não damos o primeiro passo!

Quero que saibam que…

Quem me conhece verdadeiramente bem, sabe que não sou uma pessoa fácil de lidar. O meu mundo não funciona a preto e branco, como o de muitas pessoas e, por isso, talvez existam demasiadas variáveis para conseguir fazer novas amizades ou conhecer novas pessoas. Quero que saibam que as minhas atitudes são sempre honestas e que se de alguma forma se sentiram ofendidos com a minha forma de me expressar, não foi minha intenção fazer-vos sentir assim.

Os meus amigos já estão habituados às minhas constantes oscilações de humor, que podem ir desde o festivaleiro do grupo à depressão profunda. Poderei passar horas sem dormir apenas para ir ter convosco por uma questão sem importância ou poderão passar-se dias ou semanas sem que me vejam. Quero que saibam que não o faço por mal e, se conhecessem um pouco mais sobre a minha vida, talvez conseguissem perceber esta questão. Infelizmente, nem todos permanecem tempo suficiente na minha vida para atingir este grau de confiança. Na realidade, muito poucas pessoas permaneceram ao meu lado ao longo dos anos.

Neste final de ano, não quero fazer qualquer tipo de promessas ou de compromissos comigo mesmo. Não vou prometer tornar-me uma pessoa melhor ou ser alguém que não sou. Talvez não seja esta a atitude que me trará mais amigos, mas sou uma pessoa honesta e gostaria que muitas pessoas o fossem também, porque nos dias de hoje ninguém parece dar muito valor a isso. Hoje assistimos a uma grande desvalorização do conceito de honestidade, parecendo mesmo que a desonestidade é a nova normalidade.

A única coisa que quero desejar a todos, neste novo ano é que sejam honestos, não só com todas as pessoas, mas também convosco próprios, porque não há melhor sensação do que nos irmos deitar todas as noites com uma consciência tranquila!

Quanto a mim, espero que este ano me continue a trazer a paz interior de que preciso para concluir esta etapa da minha vida. Tenho as pessoas de que preciso ao meu lado e não as trocaria por nada deste mundo!

Feliz 2020!

[16] – O ouvinte que se tornou escritor

Olá amiga,

Por vezes não temos oportunidade de mostrar gratidão pelas pequenas coisas que acabam por fazer grandes diferenças. Infelizmente, eu nunca tive oportunidade de agradecer à pessoa que me motivou a escrever muito daquilo que escrevo hoje. Lembro-me bem das tardes perdidas em redor do meu ecrã de computador após as aulas em que passávamos horas a fio a conversar. Dizias-me por vezes que parecia ser muito mais do que a pessoa que aparentava ser. Era a pessoa que sabia ouvir os outros e sabia dar os melhores conselhos em alturas de necessidade apesar da minha vida estar um caos. Na verdade, nem mesmo eu próprio encontro lógica em algumas das coisas que escrevo, mas fico contente alguém gosta daquilo que eu escreva e que o ache útil no dia-a-dia.

Foi graças a ti que comecei a partilhar mais as minhas opiniões com os outros e a escrever cada vez mais. Deste-me a motivação necessária para pegar no papel e na caneta e simplesmente começar a escrever. Ensinaste-me que as palavras têm significados importantes para as outras pessoas e de que não precisamos de gritar numa sala cheia de gente para que possamos ser ouvidos. Às vezes basta que alguém esteja disposto a ouvir a história que temos para contar e, por isso, te estou verdadeiramente grato.

do teu amigo

Pensamentos de domingo à tarde

Às vezes ao domingo à tarde decido dar umas caminhadas pela remota vila onde moro. Geralmente é um dos meus momentos reflexivos da semana, pois as ruas encontram-se quase sempre vazias. É um meio pequeno, onde toda a gente se conhece, mas ninguém no fundo sabe quem eu sou. Nunca me importei muito com este facto, porque não gosto de grandes aglomerados e geralmente há algo de especial na minha solidão.

Ao longo da minha caminhada vou passando pelos locais da minha adolescência, como a escola secundária e o bar onde passei muitas horas a conviver com os meus amigos da terra. Olho esses tempos com saudade, porque hoje já não tenho nada disso na minha vida. Na realidade, já todos os meus amigos daquela remota vila, que ainda é a minha casa se foram embora.

Ainda não sei bem o porquê destas longas caminhadas. Talvez seja porque ainda há algo que me prende a este local ou simplesmente ando à procura de algo ou de alguém que sei nunca mais vir a encontrar. Entretanto, vou-me contentando com estes momentos a vaguear com os meus pensamentos.

Quando o cansaço é demasiado

Já alguma vez sentiram que não fizeram o suficiente?

Infelizmente este é o meu reflexo durante vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Poderia pensar-se que isto é algo de bastante positivo, pois permite-me ser bastante competitivo em muitos aspetos da minha vida. Permite-me ganhar motivação para ser o primeiro a levantar-me da cama todos os dias e ser o último a deitar-me. Esses são os dias que considero verdadeiramente produtivos.

Sou um perfecionista insatisfeito, que não se contenta com o satisfatório…

No entanto, esta é uma mentira que conto a mim mesmo regularmente, porque no fim do dia, a única coisa que consigo sentir é culpa, por mais uma vez não ter feito o suficiente.

Poderia ter feito a minha cama antes de sair de casa de manhã… Poderia ter bebido mais água… Poderia ter estudado mais horas… Poderia ter passado mais tempo com a minha família… Poderia ter ido àquela festa que tanto queria…

Na realidade, não fiz nenhuma destas coisas, porque estava demasiado cansado para o fazer. Infelizmente terei de deixarei tudo para mais tarde, mas o sentimento de culpa, esse nunca desaparece…

Ainda a tentar superar o bloqueio criativo…

Já passei tanto tempo fora da blogosfera, que já quase me esqueci de como é tão bom poder voltar a tirar algumas coisas do peito… Às vezes perdemos demasiado tempo com as nossas obrigações diárias e esquecemo-nos de que a nossa vida não é só trabalho. De uma forma geral encontro-me bem e o facto de não ter passado muito por aqui acaba por ser positivo, pois a minha veia criativa aparece sempre em momentos complicados. Talvez porque seja um pessimista nato que ainda não aprendeu a ver que também há um lado bom nas coisas.

Este projeto começou como um desabafo pessoal que acabou por se arrastar ao longo dos anos e me ajudou de certa forma a crescer e a ter uma visão mais realista das coisas. Com ele aprendi a ser introspetivo e a pensar no impacto que as palavras podem ter em mim e nos outros. Durante muito tempo este sítio foi um refúgio para mim e para muitas pessoas que de alguma forma se identificaram com aquilo que escrevo. Ouvi muitas críticas positivas e negativas ao meu conteúdo ao longo dos anos que me ajudaram este espaço melhor. Tal como na vida não se pode agradar a todos.

Sinto que mudei ao longo destes anos, mas há muita coisa que permanece essencialmente a mesma. Continuo a levar sempre o meu caderno de apontamentos comigo para todo o lado, na esperança que me passe o bloqueio criativo, continuo a escrever textos aleatórios que talvez nunca cheguem a sair das gavetas do meu quarto e ainda continuo a ser um estudante universitário ávido pelo conhecimento. Acredito que por muito esforço que façamos nas nossas vidas, no fundo continuamos a ser os mesmos de sempre. É por isso que se olharmos atentamente ao nosso redor, percebemos que estamos rodeados de rotinas sem sentido e de visões estereotipadas das coisas. Por vezes queria que muita coisa fosse diferente…

Não sei se ainda haverá alguém que me acompanhe por aí, mas se ainda houver, gostaria que me dessem o vosso parecer sobre este espaço. Digam-me a vossa opinião, porque este blog não existe sem vocês aí desse lado. Como sabem, encontro-me sempre aberto a críticas construtivas e a sugestões de melhoria.

 

Do vosso amigo

Momentos de genialidade

Cada vez que olho para trás, surpreendo-me cada vez mais com alguns momentos de genialidade que tive. Aquelas iluminações brilhantes que temos e que acontecem apenas uma vez na vida. São aqueles momentos em que descobrimos um botão escondido dentro de nós que desconhecíamos. Nesse momento transformamo-nos e fazemos coisas que nos eram impensáveis de fazer ou sentir. Temos uma vontade efusiva de alegria que pensávamos não ser capazes de atingir e ficamos com aquela necessidade de registar esses momentos.

É por todas estas razões que ando sempre com um bloco de notas. Porque são esses momentos que merecem ser registados. Sim, eu ainda sou daquelas pessoas antiquadas que escreve à mão e lê livros em papel, porque não se consegue desafeiçoar daquele sentimento materialista de possuir um livro físico e sentir o cheiro do papel a cada página que desfolho. Isto pode ser um pouco contraditório, tendo em conta que estão a ler os meus textos numa plataforma digital, mas não se enganem, porque cada cada uma destas palavras foi escrita previamente naquele bloco de notas que trago sempre comigo.

Se pensarem bem, nada disto é muito diferente daquelas pessoas que levam os seus blocos de desenho para todo o lado, ou daquelas pessoas que levam sempre uma máquina fotográfica ao pescoço para captar aqueles momentos mágicos que acontecem somente uma vez na vida. Sim, também me poderão encontrar certo dia na rua a vaguear com a minha máquina fotográfica, ou demasiado ocupado em casa a fazer um autorretrato para alguém que queira registar um destes momentos especiais de que vos falo. 

Com tudo isto, até parece que sou uma espécie de Leonardo da Vinci, mas não fiquem a pensar que sou alguém que possui muitos talentos.

Sou apenas uma pessoa pronta a captar momentos de genialidade…

Quem são os nossos amigos?

Atualmente vivemos num mundo em que as pessoas valorizam demasiado os seus trabalhos e os seus estatutos sociais e descartam muitas vezes as suas amizades para um plano secundário.

Por vezes, vemos pessoas a progredir na vida à custa de outras pessoas que outrora foram suas “amigas”. Desilude-me pensar que as pessoas que conhecemos certo dia podem não ser as mesmas do dia de amanhã. Com o tempo vamos aprendendo que as primeiras impressões deixam de ter a sua importância neste mundo de vulgaridade.

Todos nós já precisámos de um amigo que nos ajudou a reencontrar o caminho naquele momento difícil e provavelmente também já ajudámos alguém que atravessou momentos de tormenta. O que importa referir é que essas pessoas são os nossos verdadeiros amigos. São as pessoas que se importam de alguma forma com o nosso sofrimento e dor. Às vezes estas pessoas escondem-se na sociedade, sem darmos por elas. São as pessoas que nos dão os bons dias todos os dias; são as pessoas que nos perguntam se está tudo bem connosco; são as pessoas que continuam a insistir mesmo quando afastamos toda a gente ao nosso redor. Poderá nem sempre ser óbvio quem são os nossos amigos e, muitas vezes poderemos mesmo surpreender-nos com algumas pessoas.

As amizades porém mudam, ou deverei dizer desaparecem? Chegamos a um ponto na vida em que os nossos amigos de infância já têm as suas vidas feitas enquanto muitas vezes ainda estamos a tentar encontrar o nosso caminho. Os nossos amigos da faculdade encontram-se a trabalhar nas suas respetivas áreas e nós nas nossas. Certo dia reencontramos os nossos amigos com quem crescemos no mesmo ambiente e descobrimos que estes já constituíram uma linda família e estão numa fase da vida muito diferente de nós. Deparamo-nos muitas vezes através das redes sociais com aquele amigo que não vemos há anos e percebemos que este emigrou para o estrangeiro. Fora isto, há pessoas que passam pela nossa vida e nunca mais ouvimos falar delas.

É caso para nos questionarmos: o que é amizade de verdade? Estas pessoas a quem chamamos amigos serão as mesmas que conhecemos um dia? Será que ainda podemos falar da mesma amizade que falávamos antes?

Cada pessoa terá a sua opinião sobre isto…

Eu acredito na amizade e em como esta pode unir as pessoas. Em cada momento da nossa vida, independentemente das circunstâncias poderemos sempre contar com os nossos verdadeiros amigos.

Estes arranjarão tempo para estar lá quando for preciso…

As resoluções de ano novo

Este ano prometo…

Estou a brincar!

 

Olá a todos de novo,

Já entraram no espírito de ano novo? Espero que sim, porque eu certamente já. Hoje é dia de começar de novo para muitas pessoas. Para mim, pessoalmente não. O ano-novo para mim significa o mesmo que qualquer outro dia do calendário. As oportunidades de ontem que foram perdidas e as de amanhã que ainda estão para vir. A cada dia que passa há sempre algo de novo que acrescentamos às nossas vidas, não acham? Assim, não pensei muito sobre o assunto e agarrei-me novamente ao papel e à caneta. Sem qualquer compromisso, nem promessas de que vou escrever sobre isto ou sobre aquilo. A escrita pela escrita! Afinal de contas, nenhum compromisso dura para sempre e a cada dia que passa é uma oportunidade desperdiçada para escrevermos, estarmos com quem realmente gostamos ou fazermos simplesmente aquilo que nos faz felizes. As pessoas são a principal razão pela qual vale a pena viver. Do que nos serve sermos materialistas se não temos com quem compartilhar. No meu caso é também através do contacto com as pessoas que surgem as novas ideias para a escrita.  Por isso é que este ano não faço promessas. Porque na realidade, quanto mais nos comprometemos com as coisas, menos nos focamos naquilo que realmente importa, que são as relações humanas. Esta é a minha mensagem para o novo ano.

Feliz ano novo para todos!