A mudança

A mudança é algo que nos assusta bastante. Ela exige uma quebra de certos hábitos e rotinas, bem como uma saída da nossa zona de conforto. É por isso que ela é assustadora. Porque nunca sabemos se essa mudança vai ser positiva ou negativa e, como bem sabemos, temos medo daquilo que não conhecemos. Quando conseguimos uma mudança positiva nas nossas vidas, sentimo-nos realizados, mas quando tal não acontece ficamos sempre com aquela sensação de que mais valia não ter feito nada. Ainda há aquelas pessoas que não fazem mesmo nada, porque têm medo de mudar e por isso estagnaram nas suas vidas. Isto tudo se estamos a falar das nossas mudanças. Quando falamos das mudanças dos outros, a história torna-se diferente. De certeza que todos nos identificamos com situações em que as pessoas nos surpreenderam pela negativa. Elas mostram-nos muitas vezes aquilo que não devemos fazer e, de alguma forma, aquilo em que não nos queremos tornar. Depois ainda há as mudanças positivas. São as pessoas que nos surpreendem por bons motivos. Pessoas que nunca pensámos que iriam mudar e de facto nos mostraram que existe ainda alguma esperança em novos recomeços. Por outro lado, as mudanças dos outros também se refletem em nós por vezes. Quando idolatramos alguém, queremos ser essa pessoa e aí podemos começar a imitar comportamentos que de outra forma não teríamos. Se, por outro lado as mudanças são negativas, afastamo-nos muitas vezes dessas pessoas, porque os seus comportamentos não vão ao encontro das nossas expectativas. Em ambos os casos, nós próprios também já não somos as mesmas pessoas. Isto porque somos seres sociais e, por isso, temos uma necessidade de adotar comportamentos. Mas há uma coisa que todas as mudanças têm em comum. A insatisfação! Porque se fossemos pessoas satisfeitas, não mudaríamos de todo!

Aquilo que temos medo de dizer…

Em muitas situações são as palavras que dizemos que nos definem enquanto pessoas, pois é através delas que os outros constroem os seus juízos de valor. Acontece que nem sempre esses juízos são verdadeiros. Mas também sabemos que vivemos em sociedade e os juízos de valor inevitavelmente existem. Estes juízos de valor acontecem, em grande parte, porque uma determinada maioria pensa de uma determinada forma. Aí é que surge o verdadeiro problema, pois é quando os juízos se tornam estereótipos. Muitas vezes tomamos estes estereótipos como verdadeiros, pois como vivemos em sociedade e quase toda a gente diz o mesmo, muito provavelmente isso será também verdade. Tudo o que havíamos anteriormente assumimos como verdadeiro se desvanece, em função de algo a que chamamos consciência de grupo. Fazemos o que a maioria quer que façamos e é assim que pessoas se tornam dependentes de outras pessoas que se esquecem que são também de condição humana. Estão como que encobertas por este manto protetor que é a consciência coletiva. É aqui que entra a manipulação muitas vezes, pois esta é exercida quase sempre em grupo. Uma vez instalada, a manipulação dificilmente consegue ser quebrada, pois mais uma vez falamos em minorias contra maiorias. Apesar de imensos esforços, o consenso parece ser um fim quase impossível e a unanimidade ainda mais impossível. Nascem então conflitos, violência e em casos mais extremos guerras. Tudo isto gerado em função da tal consciência de grupo. Assim, é visível que nem sempre as decisões da maioria são as melhores. Quem sabe se não encontraremos alguém iluminado numa população de oprimidos que possa revolucionar muita coisa! Seria de certa forma incorreto afirmar que não fazemos juízos de valor, mas a realidade é que todos nós os fazemos apesar de nem sempre os expressarmos. No fundo tudo depende de uma boa diplomacia, porque é a comunicar que nos entendemos, mas não nos esqueçamos que é também a comunicar que geramos conflito…