Equilíbrio

Há já algum tempo que não vos escrevo e, como bem sabem, a escrita é algo muito importante para mim. Contudo, a razão pela qual vos escrevo hoje é diferente das demais. Durante muito tempo vos falei sobre decisões importantes e mudanças, mas hoje é tempo de falar em estabilidade! Sim, porque pela primeira vez em muito tempo sinto que estou a encontrar algum equilíbrio na minha vida. Depois de muitas tentativas infrutíferas de reestruturação da personalidade, começo aos poucos a respeitar a pessoa que verdadeiramente sou e, com isso, a conseguir encontrar finalmente o meu equilíbrio. Às vezes é necessário passar por períodos difíceis para encontrarmos este equilíbrio e, por muito penoso que seja o processo, aprendemos sempre algo de novo com ele. Tudo isto parece estranho, após um período tão longo de indecisões, mas ao mesmo tempo o resultado é muito recompensador, tendo em simultâneo encontrado uma familiaridade já há muito esquecida.

A minha realidade

Hoje é dia de falar um pouco sobre mim. Não se trata de egocentrismo ou de algo do género, mas sou um defensor de que escrevemos melhor quando falamos de nós, porque todos temos algo de novo para dizer, mas isto já eu vos tinha dito antes.

Muitos de vocês leem o que eu escrevo e nem me conhecem, mas mesmo assim estão sempre lá para me apoiar e, por isso, vos agradeço profundamente. Acontece que me veio alguma nostalgia recentemente, porque descobri que não tenho estado no caminho certo há já algum tempo e, por isso, senti a necessidade de dar uns passos atrás (nada de que me envergonhe). Descobri no meu baú das recordações algumas antigas mensagens dos meus amigos que até hoje não esqueci. Eles sempre souberam que eu sou um apaixonado pelas ciências, e as suas mensagens não se esquecem de fazer menção a isso mesmo. Algumas delas são até mesmo exageradas pelo seu conteúdo, pois são coisas do género: “Vê lá se consegues descobrir a cura para a SIDA” ou “Aguardo que ganhes aquele tal Prémio Nobel. Nunca te esqueças de acreditar”. Apesar de serem coisas muito pouco prováveis de acontecer, são estas mensagens que me relembram todos os dias o porquê de ser a pessoa tão curiosa que sou e da minha paixão pelas ciências. Hoje digo-vos infelizmente que ainda não consegui atender a nenhum destes pedidos, mas tenham a certeza que a determinação é a mesma de sempre e foi essa mesma determinação que me ajudou a perceber que não estava no caminho certo. Nestes últimos anos, percebi que por vezes temos de sair da nossa zona de conforto e da realidade que conhecemos para percebermos melhor algumas questões de outros prismas e são essas mesmas decisões que muitas vezes nos dão as certezas que temos nos dias de hoje.