O solitário

Durante muito tempo o jovem tinha-se habituado à solidão. O grande problema é que a maior parte das pessoas via a solidão como um inimigo ou algo de que deveriam ter medo. Quando as pessoas não gostam da solidão, têm também uma tendência para não gostarem de pessoas solitárias, como o jovem, apesar de se tratarem de coisas diferentes. Isto era algo muito contraditório para o jovem, pois quando as pessoas estão na presença de um solitário, elas não estão sozinhas. Ele sabia que não gostava de estar sempre sozinho, uma vez que ninguém gosta de estar isolado (nem mesmo um solitário), mas mesmo assim, gostava da companhia da solidão por vezes. Assim, quando alguém falava com o jovem solitário, normalmente era um bom sinal para ele, uma vez que o próprio se deparava com uma ação diferente das ações da maioria das outras pessoas e, por isso, sentia-se feliz.

Certo dia, o jovem foi convidado para participar numa grande festa onde iriam estar todos os seus amigos e colegas, bem como todas as outras pessoas da cidade.

– Vem connosco! – diziam os seus amigos entusiasmados – Vai ser divertido!

– Não sei… – disse o jovem hesitante – Tenho muita coisa para estudar para o teste da próxima semana…

(Todos sabiam realmente que o que ele gostava era de ficar sozinho, mas as pessoas insistiam em convidá-lo na mesma, pois afinal, a solidão não é saudável para ninguém.)

– Vem lá! – insistiram eles – Não vamos ter outra oportunidade tão cedo.

– Está bem – disse por fim o jovem – Mas eu não me venho embora tarde, porque estou também um pouco cansado.

Assim, prosseguiram todos para a festa e, de facto, ela foi memorável. Foi um dos melhores dias da sua vida. O jovem sentiu finalmente uma euforia que não sentia há muito tempo e, rapidamente tomou gosto a estes momentos. Quando deu por si, já estava rodeado de um grande grupo social e todas as pessoas à sua volta o conheciam, mas… Ele acabou por tornar-se uma pessoa infeliz apesar de toda aquela euforia. Não estava sozinho, mas sentia um certo vazio na sua vida. No fundo, ele sabia que já não era mais aquilo que sempre tinha sido: um solitário. Tinha perdido uma parte de si.