[17] – Ignorância é o pior remédio

Olá,

 

Às vezes há coisas das quais precisamos de falar. Esta é uma delas.

Durante muito tempo fui uma pessoa com pouca iniciativa. Era influenciável e limitava-me a concordar com a opinião alheia, sem nunca dizer o que realmente pensava. Confortava-me saber que partilhava a minha opinião com alguém e isso fazia-me sentir bem. Como deves imaginar, estas atitudes não me levaram muito longe. Acabei por concordar com muitas coisas das quais não gostava e senti-me muitas vezes com a necessidade de fazer coisas com as quais não me identificava. Depois, conheci-te a ti. Alguém diferente, que não vivia das aparências e que me fez tomar iniciativa para muitas coisas. Aprendi a conhecer-me muito melhor nesse período e pela primeira vez em muito tempo, senti que tinha alguém com quem podia verdadeiramente contar. No entanto, não foi isso que aconteceu…

Tenho pena que as nossas partilhas de opinião se tenham gradualmente transformado em nada. Foi uma amizade que infelizmente acabou, porque alguém achou que não dizer nada era melhor do que continuar a expor os seus pontos de vista. Ambos sabemos que esse alguém não fui eu.

Vou dizer-te algo sobre mim, que não tiveste oportunidade de saber. Gosto muito dos meus amigos e hoje, se tiver algo para lhes dizer, digo sem problemas. Gostava que tivesses feito o mesmo por mim.

Até algum dia

 

PS – O meu conselho para quem se cruzar com esta carta, é que não despreze o poder do diálogo. Se tiverem algo para dizer a alguém digam-no, por mais difícil que possa parecer, porque nunca sabemos o impacto do nosso silêncio nas outras pessoas.

[16] – O ouvinte que se tornou escritor

Olá amiga,

Por vezes não temos oportunidade de mostrar gratidão pelas pequenas coisas que acabam por fazer grandes diferenças. Infelizmente, eu nunca tive oportunidade de agradecer à pessoa que me motivou a escrever muito daquilo que escrevo hoje. Lembro-me bem das tardes perdidas em redor do meu ecrã de computador após as aulas em que passávamos horas a fio a conversar. Dizias-me por vezes que parecia ser muito mais do que a pessoa que aparentava ser. Era a pessoa que sabia ouvir os outros e sabia dar os melhores conselhos em alturas de necessidade apesar da minha vida estar um caos. Na verdade, nem mesmo eu próprio encontro lógica em algumas das coisas que escrevo, mas fico contente alguém gosta daquilo que eu escreva e que o ache útil no dia-a-dia.

Foi graças a ti que comecei a partilhar mais as minhas opiniões com os outros e a escrever cada vez mais. Deste-me a motivação necessária para pegar no papel e na caneta e simplesmente começar a escrever. Ensinaste-me que as palavras têm significados importantes para as outras pessoas e de que não precisamos de gritar numa sala cheia de gente para que possamos ser ouvidos. Às vezes basta que alguém esteja disposto a ouvir a história que temos para contar e, por isso, te estou verdadeiramente grato.

do teu amigo

[15] – Alguém muito semelhante

Olá amiga,

Sei que muitas vezes sentes incompreensão pela parte dos outros. Eu também me sinto assim muitas vezes. Nem sempre temos as atitudes da maioria das pessoas e isso nem sempre nos traz muitas amizades. Poucos são os que param um pouco para tentar entender o nosso mundo. Quero que saibas que estou feliz por ti. Desde que nos conhecemos, nunca caíste na tentação de te tornares alguém diferente. Como deves saber, muitas pessoas à nossa volta o fazem. Nós não fazemos parte desse grupo. Provavelmente também já deves ter sido alvo de críticas por isto, como eu fui. Não te aflijas, porque estás a fazer o correto. Nunca devemos mudar a nossa forma de ver o mundo em prol dos outros.

Deves estar a perguntar-te como sei todas estas coisas, por isso vou responder-te. Quando nos conhecemos, senti-me estranho. Por momentos pensei que já tinha conhecido alguém assim. Foi como se tivesse tido um déjà vu. Por momentos fizeste-me lembrar de mim mesmo. Foi como se estivesse perante um momento de grande familiaridade, porque sabia estar perante alguém que me compreendia. Sabias que à vezes não são precisas muitas palavras para sermos entendidos? Na realidade, nem precisamos de dizer nada. Basta que estejamos presentes nos momentos certos. É por isso que tenho a certeza de que me compreendes, da mesma forma que eu te entendo.

 

Do teu amigo

[14] – Razão vs emoção

Olá,

Ao longo dos anos tenho-me questionado sobre muitas coisas, mas há qualquer coisa de muito estranho que sinto em relação a isso também. Por incrível que pareça, às vezes, as questões que fazemos são um pouco auto-destrutivas. Uma questão leva à outra e acabamos por vezes num poço sem fundo. Quero que saibas que o conhecimento nem sempre é uma bênção. Talvez este seja um problema de todas as pessoas como nós, que utilizam mais a razão do que as suas emoções. Sabes como descobri isto? No dia em que cometi uma “loucura”! Naquele dia, eu estava assustado e com medo (eu sei que isto te soa familiar…), mas mesmo assim, decidi ir para a aventura que estava diante de mim e que sempre tinha evitado. Custou-me imenso… Passados cinco minutos já estava com vontade de voltar atrás, mas era tarde demais… Até me cheguei a perguntar se aquele era mesmo eu e se tinha mesmo feito aquilo. Sabes qual foi a conclusão a que cheguei? Gostei! Foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Conclui que o medo pode ser apenas passageiro. Se arriscar-mos uma vez, sentimos medo na altura, mas se nada fizermos, viveremos com medo toda a nossa vida. Não sei o que pensas sobre tudo isto, mas sei que tens uma forma muito racional de ver as coisas, tal como eu. O meu conselho para ti, é que “partas a corda”, pelo menos uma vez na vida. Não te garanto que vás gostar, mas há algo que poderás ter a certeza. Certamente vais conhecer-te muito melhor do que no dia anterior.

 

Do teu amigo

 

P. S. – Será que se não fossemos tão racionais, seriamos as mesmas pessoas? O que achas?

[13] – Críticas (des)construtivas

Olá,

 

Certamente já te devem ter passado muitas coisas pela cabeça sobre mim. Algumas delas serão verdade e outras não… Quero então elucidar-te um pouco.

Eu relaciono-me bem com todas as pessoas. No entanto, será que tu fazes o mesmo?

Sou uma das pessoas mais honestas que alguma vez vais conhecer. Poderei dizer o mesmo de ti?

Gosto de ajudar os outros, porque sei que um dia poderei ser eu a precisar de ajuda. Será que é isso que estás a fazer também?

Eu tenho uma opinião sobre todas estas questões, mas como sabes, prefiro guardar os pensamentos para mim. Posso falar pouco, mas certamente sou um muito bom observador e, por isso, sei algumas coisas que as outras pessoas não sabem. Tu não consegues fazer isto, não é verdade? Estranho, tendo em conta que adoras muito as críticas. Sabias que também existem críticas construtivas? Ajudam muito ao desenvolvimento pessoal. Tenho pena que algumas pessoas nunca as considerem e é por isso que nunca irão evoluir. Estagnaram. Contudo, não te aflijas, porque considero que não existem casos perdidos. Algumas pessoas escolhem apenas quais as batalhas que pretendem travar.

Eu gosto de falar das minhas, mas será que tu fazes o mesmo?

 

Cumprimentos

[12] – Um ponto de viragem

Olá,

 

Não sei se se recorda de mim, porque já conheceu imensas pessoas na sua vida, mas, em todo o caso, gostaria que esta mensagem chegasse até si. Sinto-me grato por nos termos conhecido e por tudo aquilo que me ensinou. Consigo aprendi que o mundo está cheio de coisas boas, mas não podemos ficar à espera delas. Temos de lutar todos os dias para as termos. Quando nos conhecemos, eu era uma pessoa cheia de medos e incertezas, mas você ensinou-me que se há algo que queremos muito, devemos lutar por isso, mesmo que tenhamos medo. Foi o que eu fiz e continuo a fazer até ao dia de hoje. Sou o dono da minha fortuna. No entanto, sei que será de certa forma uma surpresa para si saber onde me encontro atualmente… Provavelmente até lhe parece uma derrota ou um fracasso da minha parte, mas tal como disse, é precisamente o contrário. Tudo aquilo pelo qual passei fez-me crescer e entender que estava errado desde o início. As minhas motivações, apesar de compatíveis com a realidade que encontrei, não me trouxeram a paz que um dia poderia vir a ter.

Agradeço-lhe imenso por ter perdido um pouco do seu tempo a acreditar em mim e nas minhas capacidades. Fez-me ver que tenho muito valor e que este pode ser útil para ajudar os outros. Percebi por mim mesmo que posso ajudar de outras formas e encontrar um pouco de estabilidade desta maneira. Daí esta grande mudança. Quero também que saiba que continuo a ser a mesma pessoa que conheceu, mas há uma grande diferença. Sou muito mais confiante nas minhas capacidades. Posso dizer-lhe que finalmente encontrei esta estabilidade que há muito procurava e encontro-me extremamente feliz e motivado, porque hoje sei que sou capaz de fazer tudo aquilo a que me proponho.

 

Do seu amigo

[11] – Transparência

Olá,

 

Há algo que primeiramente quero que saibas. Nunca conheci ninguém que se parecesse tanto comigo e ao mesmo tempo fosse tão diferente. No entanto, isso tem uma explicação. Quero que saibas que eu te compreendo, mas quero também dar-te um conselho. Às vezes sentimos a necessidade de expressar coisas que não são bem verdade. Chamemos-lhes as meias-verdades. Gostamos de tentar transmitir uma boa imagem de nós, mas acabamos por parecer um pouco artificiais. Tentamos demonstrar características que não nos representam verdadeiramente, na tentativa de causar boas impressões. O que acaba por acontecer é precisamente o contrário… Isto é o que a experiência me diz. Contudo, não te aflijas, porque eu também já cometi esse erro antes. Com ele aprendi que não estava a viver verdadeiramente. Estava a viver a vida que os outros queriam que eu tivesse e, como podes ver, hoje sou uma pessoa transparente. Não me sinto na necessidade de esconder nada dos outros. A pessoa que sou está à vista de todos. Espero que um dia sejas capaz de o fazer também e talvez aí consigas encontrar um pouco de paz interior.

 

Do teu amigo

[10] – A mensagem final

Olá amigos!

 

Sim, esta carta tem mesmo vários destinatários. Já irão perceber o porquê.

Há momentos especiais nas nossas vidas e pessoas com quem esses momentos merecem ser partilhados. Este é um deles. Todos eles contribuíram um pouco para melhorar a pessoa que sou hoje e essa é uma das mensagens que vos quero transmitir. Quero deixar-vos o meu grande agradecimento por me apoiarem sempre. Ainda há certamente a considerar as pessoas que por alguma razão se acham superiores de alguma forma. Não se preocupem, porque também vos quero deixar uma mensagem. Aprendi algumas coisas com vocês também, nomeadamente a não me tornar na péssima pessoa que vocês são. Mas não se sintam ofendidos, porque afinal ninguém é perfeito…

Com tudo isto, quero agradecer-vos a todos pois sem a vossa contribuição não me seria possível escrever esta série de cartas extraviadas. Espero que algumas tenham finalmente chegado aos seus destinos e, mesmo que isso não tenha acontecido, pelo menos serviram para dar-vos a conhecer um pouco de mim.

 

Do vosso amigo

[9] – Primeiras impressões

Olá amiga,

Vou começar pelo início, ou seja, aquele primeiro momento em que nos conhecemos. Foi muito constrangedor para mim, mas pelo que depreendi da situação, também não foi muito melhor para ti. No meio de um ambiente tão hostil, fiquei impressionado ao ter encontrado alguém que tinha muitas semelhanças comigo. Na realidade foi um breve encontro que me ajudou imenso a sentir mais calmo na altura. Mais tarde, os nossos caminhos voltaram a encontrar-se e o constrangimento de inicialmente foi-se dissipando, até nos termos tornado bons amigos. As primeiras impressões nem sempre costumam ajudar muito no cultivo de boas amizades e, neste caso, apesar da primeira impressão não ter sido a melhor, foi um caso de sucesso.

Do teu amigo

[8] – O sonho

Olá meu grande amigo,

 

Sei que já há muito tempo que não tens novidades minhas. Eu também não sei muito sobre ti atualmente, mas tenho a certeza que estás a ser muito bem sucedido aí tão longe onde te encontras. Contigo aprendi muitas coisas, mas talvez a mais importante seja que nunca devemos desistir daquilo em que acreditamos. No entanto, devemos ser realistas em relação aos nossos objetivos e, por vezes reajustá-los. Familiar? Foi isso que tu fizeste e acabaste por ser bem sucedido! Admiro-te muito por teres deixado tudo para trás em busca dos teus sonhos. Há uns tempos atrás eu não tinha tanta certeza se iria conseguir tomar decisões que causassem grandes impactos, mas hoje sei que o consigo fazer. Aprendi que se queremos ser bem sucedidos, o nosso destino depende em grande parte de nós.

Vai dando notícias!

 

Do teu amigo