As tragédias que só nós queremos ver

As piores tragédias da vida são aquelas que mais ninguém sabe. A dor que sofremos sem que ninguém saiba ou a história que apenas nós sabemos. Tudo isso nos corrói por dentro e nos deixa vulneráveis. Pensamos que somos fortes, até ao momento em que não aguentamos mais e deitamos tudo cá para fora. Sentimo-nos as piores pessoas do mundo e descobrimos que afinal não éramos assim tão resistentes. Culpamos os outros por nunca terem reparado em nós e na nossa decadência ao longo dos tempos. Sentimo-nos a enlouquecer aos poucos e que ninguém nos vai ajudar a encontrar a confiança que nunca tivemos antes. Ficamos cada vez mais tristes e entramos num ciclo do qual não conseguimos sair.

É muito fácil culpar tudo e todos à nossa volta, mas o que muitos se esquecem é que a mudança parte de nós e a confiança também. Ninguém se vai importar connosco se não formos nós a ser os primeiros. Ninguém nos vai ajudar, se não tomarmos uma posição e nos decidirmos ajudar a nós mesmos. Tudo isso começa quando tiramos as coisas do nosso peito e percebemos que as nossas tragédias não passam de insignificâncias comparadas com as tragédias dos outros.

A verdadeira tragédia ocorre quando não damos o primeiro passo!

Quero que saibam que…

Quem me conhece verdadeiramente bem, sabe que não sou uma pessoa fácil de lidar. O meu mundo não funciona a preto e branco, como o de muitas pessoas e, por isso, talvez existam demasiadas variáveis para conseguir fazer novas amizades ou conhecer novas pessoas. Quero que saibam que as minhas atitudes são sempre honestas e que se de alguma forma se sentiram ofendidos com a minha forma de me expressar, não foi minha intenção fazer-vos sentir assim.

Os meus amigos já estão habituados às minhas constantes oscilações de humor, que podem ir desde o festivaleiro do grupo à depressão profunda. Poderei passar horas sem dormir apenas para ir ter convosco por uma questão sem importância ou poderão passar-se dias ou semanas sem que me vejam. Quero que saibam que não o faço por mal e, se conhecessem um pouco mais sobre a minha vida, talvez conseguissem perceber esta questão. Infelizmente, nem todos permanecem tempo suficiente na minha vida para atingir este grau de confiança. Na realidade, muito poucas pessoas permaneceram ao meu lado ao longo dos anos.

Neste final de ano, não quero fazer qualquer tipo de promessas ou de compromissos comigo mesmo. Não vou prometer tornar-me uma pessoa melhor ou ser alguém que não sou. Talvez não seja esta a atitude que me trará mais amigos, mas sou uma pessoa honesta e gostaria que muitas pessoas o fossem também, porque nos dias de hoje ninguém parece dar muito valor a isso. Hoje assistimos a uma grande desvalorização do conceito de honestidade, parecendo mesmo que a desonestidade é a nova normalidade.

A única coisa que quero desejar a todos, neste novo ano é que sejam honestos, não só com todas as pessoas, mas também convosco próprios, porque não há melhor sensação do que nos irmos deitar todas as noites com uma consciência tranquila!

Quanto a mim, espero que este ano me continue a trazer a paz interior de que preciso para concluir esta etapa da minha vida. Tenho as pessoas de que preciso ao meu lado e não as trocaria por nada deste mundo!

Feliz 2020!

Pensamentos de domingo à tarde

Às vezes ao domingo à tarde decido dar umas caminhadas pela remota vila onde moro. Geralmente é um dos meus momentos reflexivos da semana, pois as ruas encontram-se quase sempre vazias. É um meio pequeno, onde toda a gente se conhece, mas ninguém no fundo sabe quem eu sou. Nunca me importei muito com este facto, porque não gosto de grandes aglomerados e geralmente há algo de especial na minha solidão.

Ao longo da minha caminhada vou passando pelos locais da minha adolescência, como a escola secundária e o bar onde passei muitas horas a conviver com os meus amigos da terra. Olho esses tempos com saudade, porque hoje já não tenho nada disso na minha vida. Na realidade, já todos os meus amigos daquela remota vila, que ainda é a minha casa se foram embora.

Ainda não sei bem o porquê destas longas caminhadas. Talvez seja porque ainda há algo que me prende a este local ou simplesmente ando à procura de algo ou de alguém que sei nunca mais vir a encontrar. Entretanto, vou-me contentando com estes momentos a vaguear com os meus pensamentos.

Ainda a tentar superar o bloqueio criativo…

Já passei tanto tempo fora da blogosfera, que já quase me esqueci de como é tão bom poder voltar a tirar algumas coisas do peito… Às vezes perdemos demasiado tempo com as nossas obrigações diárias e esquecemo-nos de que a nossa vida não é só trabalho. De uma forma geral encontro-me bem e o facto de não ter passado muito por aqui acaba por ser positivo, pois a minha veia criativa aparece sempre em momentos complicados. Talvez porque seja um pessimista nato que ainda não aprendeu a ver que também há um lado bom nas coisas.

Este projeto começou como um desabafo pessoal que acabou por se arrastar ao longo dos anos e me ajudou de certa forma a crescer e a ter uma visão mais realista das coisas. Com ele aprendi a ser introspetivo e a pensar no impacto que as palavras podem ter em mim e nos outros. Durante muito tempo este sítio foi um refúgio para mim e para muitas pessoas que de alguma forma se identificaram com aquilo que escrevo. Ouvi muitas críticas positivas e negativas ao meu conteúdo ao longo dos anos que me ajudaram este espaço melhor. Tal como na vida não se pode agradar a todos.

Sinto que mudei ao longo destes anos, mas há muita coisa que permanece essencialmente a mesma. Continuo a levar sempre o meu caderno de apontamentos comigo para todo o lado, na esperança que me passe o bloqueio criativo, continuo a escrever textos aleatórios que talvez nunca cheguem a sair das gavetas do meu quarto e ainda continuo a ser um estudante universitário ávido pelo conhecimento. Acredito que por muito esforço que façamos nas nossas vidas, no fundo continuamos a ser os mesmos de sempre. É por isso que se olharmos atentamente ao nosso redor, percebemos que estamos rodeados de rotinas sem sentido e de visões estereotipadas das coisas. Por vezes queria que muita coisa fosse diferente…

Não sei se ainda haverá alguém que me acompanhe por aí, mas se ainda houver, gostaria que me dessem o vosso parecer sobre este espaço. Digam-me a vossa opinião, porque este blog não existe sem vocês aí desse lado. Como sabem, encontro-me sempre aberto a críticas construtivas e a sugestões de melhoria.

 

Do vosso amigo

Quem são os nossos amigos?

Atualmente vivemos num mundo em que as pessoas valorizam demasiado os seus trabalhos e os seus estatutos sociais e descartam muitas vezes as suas amizades para um plano secundário.

Por vezes, vemos pessoas a progredir na vida à custa de outras pessoas que outrora foram suas “amigas”. Desilude-me pensar que as pessoas que conhecemos certo dia podem não ser as mesmas do dia de amanhã. Com o tempo vamos aprendendo que as primeiras impressões deixam de ter a sua importância neste mundo de vulgaridade.

Todos nós já precisámos de um amigo que nos ajudou a reencontrar o caminho naquele momento difícil e provavelmente também já ajudámos alguém que atravessou momentos de tormenta. O que importa referir é que essas pessoas são os nossos verdadeiros amigos. São as pessoas que se importam de alguma forma com o nosso sofrimento e dor. Às vezes estas pessoas escondem-se na sociedade, sem darmos por elas. São as pessoas que nos dão os bons dias todos os dias; são as pessoas que nos perguntam se está tudo bem connosco; são as pessoas que continuam a insistir mesmo quando afastamos toda a gente ao nosso redor. Poderá nem sempre ser óbvio quem são os nossos amigos e, muitas vezes poderemos mesmo surpreender-nos com algumas pessoas.

As amizades porém mudam, ou deverei dizer desaparecem? Chegamos a um ponto na vida em que os nossos amigos de infância já têm as suas vidas feitas enquanto muitas vezes ainda estamos a tentar encontrar o nosso caminho. Os nossos amigos da faculdade encontram-se a trabalhar nas suas respetivas áreas e nós nas nossas. Certo dia reencontramos os nossos amigos com quem crescemos no mesmo ambiente e descobrimos que estes já constituíram uma linda família e estão numa fase da vida muito diferente de nós. Deparamo-nos muitas vezes através das redes sociais com aquele amigo que não vemos há anos e percebemos que este emigrou para o estrangeiro. Fora isto, há pessoas que passam pela nossa vida e nunca mais ouvimos falar delas.

É caso para nos questionarmos: o que é amizade de verdade? Estas pessoas a quem chamamos amigos serão as mesmas que conhecemos um dia? Será que ainda podemos falar da mesma amizade que falávamos antes?

Cada pessoa terá a sua opinião sobre isto…

Eu acredito na amizade e em como esta pode unir as pessoas. Em cada momento da nossa vida, independentemente das circunstâncias poderemos sempre contar com os nossos verdadeiros amigos.

Estes arranjarão tempo para estar lá quando for preciso…

As resoluções de ano novo

Este ano prometo…

Estou a brincar!

 

Olá a todos de novo,

Já entraram no espírito de ano novo? Espero que sim, porque eu certamente já. Hoje é dia de começar de novo para muitas pessoas. Para mim, pessoalmente não. O ano-novo para mim significa o mesmo que qualquer outro dia do calendário. As oportunidades de ontem que foram perdidas e as de amanhã que ainda estão para vir. A cada dia que passa há sempre algo de novo que acrescentamos às nossas vidas, não acham? Assim, não pensei muito sobre o assunto e agarrei-me novamente ao papel e à caneta. Sem qualquer compromisso, nem promessas de que vou escrever sobre isto ou sobre aquilo. A escrita pela escrita! Afinal de contas, nenhum compromisso dura para sempre e a cada dia que passa é uma oportunidade desperdiçada para escrevermos, estarmos com quem realmente gostamos ou fazermos simplesmente aquilo que nos faz felizes. As pessoas são a principal razão pela qual vale a pena viver. Do que nos serve sermos materialistas se não temos com quem compartilhar. No meu caso é também através do contacto com as pessoas que surgem as novas ideias para a escrita.  Por isso é que este ano não faço promessas. Porque na realidade, quanto mais nos comprometemos com as coisas, menos nos focamos naquilo que realmente importa, que são as relações humanas. Esta é a minha mensagem para o novo ano.

Feliz ano novo para todos!

As dicotomias sem sentido

Muitas vezes há coisas que ficam por dizer… Por muitas razões que quase sempre não conseguimos entender perdemos grandes oportunidades. Chegamos a momentos decisivos das nossas vidas e não conseguimos dizer as palavras que nos passam há já tanto tempo pela cabeça: “amo-te…; desisto…; fico…; e tantas outras…”. Durante muito tempo não somos capazes de dizer tais coisas. O problema não é necessariamente dizê-las, mas sim os vários desfechos possíveis que podem daí advir. Como bem sabemos, temos medo daquilo que não conhecemos e, quando dizemos algumas destas palavras, as consequências são sempre imprevisíveis. Surge muitas vezes a apatia por não sermos capazes de decidir qual o próximo passo a dar. Ficamos presos no mundo. Estagnados. Começamos a seguir os outros porque já não temos forças para decidir seja o que for. Esquecemo-nos que podemos alterar tudo isso. Basta-nos acabar com as dicotomias, fazendo as nossas próprias escolhas.

Então, porque é que tudo isso é tão difícil? Talvez por medo das consequências negativas. O que seria de nós num mundo sem consequências? Às vezes pensamos que todas as consequências são negativas e esquecemo-nos que também há um lado bom e positivo nas coisas. Em qualquer um dos casos, é a falta de ação que nos prejudica!

Os significados da vida

Talvez algum dia venha a saber o porquê de a minha vida ter mudado tanto nos últimos meses. Ou então, talvez nunca chegue realmente a sabê-lo com toda a certeza. E vocês, sabem o que estão a fazer? Já pararam um momento para pensar no porquê de serem quem são? Quiçá nunca pensaram verdadeiramente nisso… Todos os dias pensamos naquilo que podemos fazer para sermos felizes ou em como podemos tirar melhor partido do mundo à nossa volta, mas não será que o estamos a fazer de forma errada? Não faz sentido pensar no bem comum, se não somos capazes de pensar naquilo que queremos para nós mesmos. Não o devemos confundir com egoísmo, mas é importante que estejamos seguros daquilo que verdadeiramente queremos, pois isso é parte de quem somos. Os grandes grupos são compostos de grandes individualidades, porque são todas essas individualidades que os tornam grandes.

E agora, já pensaram no porquê de serem quem são? Se a resposta for afirmativa, então estão no bom caminho, mas não se esqueçam de repetir todos os dias essa questão a vocês mesmos, porque as conclusões a que chegarem hoje, podem não ser as mesmas de amanhã. Se, por outro lado, a vossa resposta for negativa, então talvez esteja na hora de começarem a pensar por vocês.

Um novo rumo a seguir

Ultimamente as pessoas têm uma tendência para se preocuparem demasiado com o que fazemos e, por isso, sentimos muitas vezes a necessidade de agradarmos os demais. O que não é correto, pois devemos viver a nossa vida e não a que os outros querem que tenhamos. Assim, perdemo-nos quase sempre em coisas que pouca ou nenhuma importância têm para nós, quando na realidade devemos procurar ser felizes. Quando nos focamos em demasiadas coisas, o sucesso é inevitavelmente inatingível, pois devíamos estar a fazer aquilo em que realmente somos bons e uma boa parte da felicidade das nossas vidas resulta disso mesmo. Dito desta forma até parece fácil, mas bem sabemos que a realidade não o é e a vida faz-nos perceber isso de muitas formas diferentes. No entanto, nunca é tarde para seguirmos novos rumos e experimentarmos novas coisas, pois só fazendo isso é que podemos saber como nos sentimos realizados.

Como deve ser a vida?

Como deve ser a vida? Esta é talvez a questão mais comum na mente das pessoas por todo o mundo. Algumas dirão que as suas vidas são entediantes, enquanto outras vos dirão que necessitam de um pouco de tédio para fugir aos seus problemas. Há quem esteja desesperado por arranjar um emprego, enquanto alguém no outro lado do mundo desespera por sair de uma zona de guerra. As nossas condições podem ser diferentes, mas o nosso objetivo é o mesmo. Procuramos a nossa paz de alguma forma, mas nunca a iremos obter, porque não podemos fugir daquilo que somos. Pessoas… Seres insatisfeitos por natureza que estão já à partida condenados ao que verdadeiramente são. Por isso, sempre que perguntem a alguém: “Como deve ser a vida?”; a resposta mais provável será: “Pedia ser melhor…”.